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sábado, 22 de setembro de 2012

Ai, ai, ai... Pobre de mim!



  Uma das coisas mais do que inúteis que se pode ter como postura psicológica, é a vitimização.

   Vitimar-se é mais do que imprestável, é corrosivo! Mas se isso é tão inútil e insalubre, por que então as pessoas chafurdam na lama? Por que se embaralham, se enrolam em arame farpado?
   A explicação que mais faz sentido na vitimização é a do ganho secundário. A lógica é mais ou menos assim: quanto mais vitima eu for, alguém ou alguma coisa vai se sensibilizar e vir me socorrer.
   O ganho secundário estaria em receber um afago de alguém, um "jogar de confetes". Mas o problema é que quanto mais preciso da pena do outo, mais dependente e miserável me torno.
   Parafraseando Sartre; não importa o que fizeram com você, e sim o que você vai fazer com isso.
   Se sentir vítima como uma primeira reação a alguma tragédia é até comum, mas é preciso ter uma duração não muito longa. Quando o sentimento de vítima se prolonga, estamos participando para que nosso sofrimento continue indefinidamente. Estamos, portanto, nos vitimizando.

   E ai, o que você vai fazer?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Psicoterapia pra quê?

   No ano de 2007 a Universidade de Amsterdã analisou 20 pessoas com transtorno do estresse pós-traumático. Elas foram submetidas a uma sessão semanal de psicoterapia breve – inspirada em Freud, porém focada e mais curta – durante 4 meses. Ao mesmo tempo, um grupo de 15 pessoas com o mesmo diagnóstico ficou sem o tratamento psicoterápico.
   “No final, o cérebro de quem fez terapia mudou. Houve mais atividade em regiões do córtex pré-frontal, área relacionada a cálculos, pensamentos práticos e ações que tomamos conscientemente. Na prática o tratamento deu alívio a sintomas que têm a ver com traumas, como hipervigilância (estado de alerta permanente) e recordações aflitivas, que se manifestam em pesadelos e pensamentos recorrentes”. (Super Interessante - 06/2008)
   Sabe-se que o cérebro é muito plástico, no sentido de se modificar. Atualmente a neurociência através de suas modernas técnicas de captar imagens do cérebro, comprova que a psicoterapia realmente provoca mudanças nas atividades e estruturas cerebrais.

Nesse sentido pode-se afirmar cientificamente que a psicoterapia de fato funciona!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Inveja: a voz voraz

   Na inveja, maioria das vezes inconscientemente, a pessoa sente a angústia do não possuir. É a angústia de sentir-se desprovido de algo. Essa angústia incomoda, e quando não trabalhada, a pessoa possuída de inveja entende que o que lhe causa o desconforto da angústia é o outro, é o fora e não o dentro.

   Então a pessoa com inveja começa a atacar o outro ainda que internamente. “Aquele sujeito não é simpático nada, é um exibido e metido a besta”, pensa o invejoso. Ou em casos mais graves passa a atacar o outro explicitamente com maledicências e intrigas e às vezes de forma violenta e persecutória.

   O invejoso faz vítimas, mas ele é sem dúvida a primeira delas. Ele é vítima de si mesmo, pois não tem maturidade emocional o bastante para lidar de forma construtiva com a angústia do não possuir. O invejoso não é o dono do que sente, e sim refém do que sente.

   Existem diferenças entre ser invejoso e sentir inveja. O invejoso pensa em apenas destruir o objeto que lhe faz perceber a própria angústia do não possuir.

   Quando sentir inveja pense que esta pode ser sua oportunidade de aprimoramento, desde que se entenda que o que realmente o incomoda não é o fato do outro ter ou ser alguma coisa, mas sim a própria sensação de não ter ou ser. O sentimento é seu e é isso que incomoda.

   Se não tenho ou não sou, e isso me incomoda, devo fazer alguma coisa construindo e não destruindo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Buscai, e Achareis!

“O Ser e o Nada”, obra que rendeu a Sartre o Premio Nobel de literatura, e que curiosamente se recusou a receber, o filósofo explora a complexidade do que é ser e existir. Tema decididamente complexo, explorado em seu livro em mais de 700 páginas e por isso extenso de mais para ser aprofundado aqui. Essa tarefa deixo para uma outra oportunidade.

Apenas cito a Sartre para enfatizar que ser é algo muito mais complexo do que muitos são levados a crer. Complexo não quer dizer difícil.

Jung coloca que temos uma “identidade” superficial e outra mais profunda.

Então fica a pergunta: quem és tu?

Vê? Não é tão simples responder a isso.

Os valores e ideais de nossa cultura nos diz a todo momento para pairarmos pela superficialidade do ser, que para ser isso ou aquilo basta apenas parecermos com alguma coisa. O ser de fato é algo que o capitalismo não consegue captar e transformar em produto, por isso não se fala nisso. Fala-se em vestir a tal roupa, usar o tal perfume, comprar aquele carro, morar neste ou naquele lugar, falar assim ou daquele jeito, e os exemplos se seguem. Ou seja, pode-se comprar um jeito de ser. Mas apenas um ser superficial, nunca um verdadeiramente interno.

Esse ser interno não se adquire em uma loja de “gente feliz”, esse ser se descobre através da busca.

Sem busca não há descobertas. Mas será que queremos abandonar nosso porto “seguro”? Segurança, essa sensação...

Disse Jesus: “(...) buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á”.

A sabedoria popular já dizia que “quem não arrisca não petisca”. O que te impede de petiscar? O que te impede de arriscar? O que é o medo?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ronaldo Fenômeno - O Herói no Imaginário Coletivo

Na mitologia grega o herói é um semideus por ser filho de um dos deuses com uma mulher terrena.
Dessa mistura o herói então herda de seu pai deus os atributos divinos, e de sua mãe terrena as características humanas. Notem que na mitologia grega só existe herói se o filho do deus com a mulher for homem, caso contrário é apenas uma mulher. E que também os atributos virtuosos advêm do elemento masculino (deus) e que os vícios provêm do elemento feminino (a mulher). Essa característica se dá provavelmente pela predominância da tradição e domino patriarcal, que ainda hoje deixa suas profundas marcas em nossa cultura.
Sabemos que os heróis mitológicos e arquetípicos são uma metáfora sobre o que é ser um ser-humano, mas ainda assim, o coletivo (a aldeia, a cidade, o país etc.) elege fora de si um herói que os cobrirá de honra e glória.
Temos diversos exemplos disso nas modalidades esportivas. Na Fórmula 1 os brasileiros têm a Airton Senna como herói, já os franceses a Alain Prost, os espanhóis a Fernando Alonso e assim segue
Note que para ser consagrado herói público é preciso ser autor de alguma façanha. Se um piloto brasileiro fizer menos ou igual a Airton Senna este não será eleito pelo povo o seu herói, para tal é preciso superá-lo.
Hoje, dia 07/06/2011 teremos uma homenagem de despedida a um herói brasileiro, ao “Fenômeno”, a Ronaldo Luís Nazário de Lima, o Camisa 9 da Seleção Brasileira. Seu grande feito? Ter marcado 15 gols em Copas do Mundo.

Ronaldo Fenômeno possui vícios e virtudes, e por essa mistura, muitos podem chama-lo de Herói da Nação.